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Eleição Condicional

Nessa série onde tenho tentado expor a visão arminiana de forma clara e sintética chegamos ao terceiro artigo e segundo ponto do arminianismo. Se você não leu não deixe de ler os artigos ''Você é Arminiano e Nem Sabe'' e ''Depravação Total - Arminianismo'' para que você possa entender do que será tratado. Nesse artigo será exposto um tema de grande relevância que é o tema da eleição condicional.

 

Existe um mito muito comum no meio evangélico de que o arminianismo nega a doutrina da eleição. Nada mais falso. A doutrina da eleição é uma doutrina bíblica. O que muda no arminianismo em relação ao calvinismo no tocante a doutrina da eleição é a interpretação desta. No arminianismo Deus elegeu aqueles que seriam salvos com base no seu pré-conhecimento daqueles que creriam em Cristo. Ou seja, Deus viu antes da fundação do mundo os que iriam se converter a Cristo e os elegeu. A eleição está condicionada a fé da pessoa em Cristo que foi prevista. Vejamos algumas passagens bíblicas que comprovam tal doutrina:

 

''Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.'' Rm 8: 28 ao 30 (grifos acrescidos)

 

A expressão ''aos que de antemão conheceu'' indica o pré-conhecimento de Deus sobre aqueles que no futuro acreditariam em Cristo Jesus. Esses, então, foram predestinados para serem semelhantes a Cristo. Existe uma predestinação baseada no conhecimento futurístico de Deus. E não em um decreto divino que predestinou uns automaticamente para o céu e outros, consequentemente, para o inferno sem lhes dar oportunidade de salvação.

 

''eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos vos sejam multiplicadas.'' 1Pe 1:2 (grifos acrescidos)

 

Aqui novamente o texto bíblico explica qual é a natureza da eleição feita por Deus. A expressão ''eleitos, segundo a presciência de Deus Pai'' deixa claro que Deus elegeu aqueles que ele previu que se converteriam a Cristo. Perceba que não é necessário nem muita interpretação para extrair tal verdade do texto. Trata-se de doutrina cristalina. Alguns calvinistas argumentam que Pedro está dizendo que a eleição foi em conformidade com o seu amor, ou seja, que Deus elegeu tendo o seu o amor como padrão e não que ele viu os que se converteriam a Cristo e depois os elegeu. Tal interpretação me parece equivocada, pois em nenhum momento o texto transmite essa ideia.

 

''assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade'' Efésios 1: 4 e 5 (grifos acrescidos)

 

Alguns calvinistas veem neste texto uma prova da eleição incondicional, mas o que texto demonstra é apenas a centralidade de Cristo na salvação e na eleição. A expressão ''por meio de Jesus Cristo'' deixa isso claro. O versículo demonstra que é por meio de Cristo é que somos eleitos, mas com relação à natureza dessa eleição o texto não entra em detalhe. Os dois textos já citados anteriormente é que tratam da natureza dessa eleição, ou seja, baseada na presciência de Deus daqueles que creriam em Cristo Jesus.

 

Muitos outros versículos poderiam ser comentados, mas vou me ater a esses para evitar que o artigo fique muito grande. Lembro que tratei da doutrina da eleição no que concerne a salvação. Existe a eleição para o serviço, para o ministério profético, para a coletividade (Israel e Igreja) e outras que lidarei com elas em outro momento.

 

É importante percebermos que se acreditarmos que Deus decretou todas as coisas e ao mesmo tempo cobra de nos responsabilidade por essas ações (ações essas que não poderíamos deixar de fazer, pois Deus decretou que a praticássemos inevitavelmente) caímos em uma contradição lógica. Deus determina e ao mesmo tempo nos cobra pelo que determinou que fizéssemos. Uma doutrina que implica em contradição lógica não pode ser verdadeira. Ela poderia estar além da lógica como é o caso da doutrina da Trindade, mas a Trindade apenas transcende a lógica e não a contrária porque existe na matemática o conceito de unidade composta. Assim respeito os irmãos em Cristo que pensam de forma diferente, mas a meu ver a doutrina da eleição condicional arminiana é mais coerente com as escrituras e com a lógica.

 

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Ministério Jovens Pregadores

 

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